Nabucodonosor Caldéia 622 a.C.
562 a.C.
“No nono ano do reinado de Sedequias, no décimo dia do décimo mês, Nabucodonosor,
rei da Babilônia, avançou com toda a sua armada contra Jerusalém...”. É assim que a
Bíblia começa a contar, no Livro dos Reis, uma história que se passou em 586 a.C.,
a conquista do reino de Jerusalém pelos exércitos de Nabucodonosor, a destruição da
cidade e do templo, o cativeiro do povo judaico na Babilônia.
Para o povo de Jerusalém, era o exílio e a escravidão. Para Nabucodonosor, uma
conquista a mais. Para a história, uma ironia: conquistadores e conquistados,
vencedores e oprimidos, ambos eram longínquos descendentes de um mesmo povo, o caldeu,
assim como Abraão o era. Por volta de 3000 a.C., a Caldéia já era um país civilizado.
Dividia-se em duas regiões, ocupadas por povos distintos: Sumero ao sul, habitada
pelos sumerianos, e Acade ao norte, onde viviam os acadianos (semitas). Entre 2500 e
2000 a.C., chefes semitas fundaram, após guerras encarniçadas, o primeiro império
babilônico, cuja capital foi Babilônia, nome que significa “Porta de Deus”. A cidade
de Babilônia logo se tornou o centro do comércio entre os povos do Oriente. O primeiro
império da Babilônia atinge seu apogeu durante o reinado de Hamurabi (2100 a.C.) e
duzentos anos após, a Caldéia é invadida pelos povos do Norte, como hititas e
cassitas, que introduziram o cavalo na Mesopotâmia. Com essas invasões encerra-se o
primeiro império babilônico.
Por volta de 1300 a.C. é a vez dos assírios que, de antigos vassalos dos babilônicos,
conquistam a Caldéia e formam um novo império. Sob Sargão II (722-705 a.C.).
Senaqueribe (705-681) e Assurbanipal (668-626) esse império cresceu tanto, a ponto
de icluir quase todo o mundo civilizado da época. Mas o sucesso dos assírios foi
menor que sua ambição: os novos territórios anexados fizeram o império inchar tanto
que se tornou difícil governá-lo. E quem acabou dando o golpe de morte no império
assírio foram justamente os caldeus, os semitas do sul. Chefiados por Nabopolassar,
organizaram a insurreição e tomaram Nínive, a capital assíria, em 612 a.C. Era o
nascimento do império caldeu, também chamado o segundo império babilônico.
Com a morte de Nabopolassar, assume o poder seu filho Nabucodonosor.
Ele tinha um objetivo bem definido: conquistar o que pudesse. Sem perder tempo,
organizou o exército e lançou-se mundo afora. Os primeiros a cair foram os egípcios,
expulsos da Síria, depois o reino de Jerusalém, Tiro, na Fenícia e grande parte da
Arábia. Poderoso e inventivo. A fama de Nabucodonosor não lhe veio apenas por causa
de suas façanhas militares, mas também pelas obras que mandou realizar. Por exemplo:
ruas pavimentadas com pedras de cal e com paredes revestidas de tijolos azuis
polidos. Fez também de sua capital a cidade mais rica do Oriente. Ergueu templos
maravilhosos, com estátuas de ouro maciço, edifícios grandiosos e a mais famosa de
suas obras: os
Jardins Suspensos da Babilônia, desenhados sobre terraços elevados,
cobertos de palmeiras e plantas raras. Dizem que foram construídos para matar a
saudade que a Rainha Semíramis sentia dos jardins de sua terra.
Tantas eram as riquezas acumuladas por Nabucodonosor na capital do império, que para
protegê-las mandou construir uma terceira muralha em volta da cidade.
Arqueólogos encontraram naquele local várias pedras com as seguintes inscrições:
“Para que nenhum ataque hostil se aproximasse dos muros de Babilônia, fiz algo
diferente dos que me precederam. Desejei um terceiro muro ao redor da cidade.
Cavei um fosso para ele. Forrei seus lados com asfalto e tijolos cozidos. Ergui
uma parede de grande altura em sua borda exterior. Coloquei grandes passagens com
portas de madeira decoradas com bronze. E, para humilhar os inimigos, para que eles
jamais ousassem assediar o tríplice muro de Babilônia, eu cerquei a cidade com
fortes correntes, como as ondas do mar, mas para que não ocorressem enchentes,
cavei fossos e os provi de grandes represas de argila cozida”.
Era tanta a sua mania de grandeza, que resolveu reconstruir um grande templo
desmoronado de modo que sua parte mais alta “rivalizasse com o céu”, como gostava
de dizer. Essa edificação só poderia ser comparada à outra Torre de Babel, pois a
base e a altura eram iguais. Foram empregados 58 milhões de tijolos e, no alto da
torre mandou erigir um santuário consagrado a seu deus Marduk, representado por
uma estátua de ouro, cujo brilho, de tão intenso, era vista a muitos quilômetros
de distância. Nabucodonosor acreditava num deus chamado Marduk e quem não se
prostasse diante de sua estátua era atirado num forno acesso. Em seus últimos
anos de vida ficou demente e comeu grama. E louco morreu em 562 a.C.
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