Civilização Maia
Os espanhóis que em 1519 chegaram à região do atual México, não puderam esconder seu
espanto diante do que viram. Naquela época, muitas histórias sobre fantásticas cidades
desconhecidas alimentavam os sonhos dos europeus, mas as civilizações encontradas ali
foram além da imaginação. Riquíssimas cidades eram sede de dois impérios: o dos maias
e o dos astecas. Os maias instalaram-se no sul do México, na Guatemala e em Honduras
por volta do ano 1000 a.C. e não se sabe ao certo qual a sua origem.
A sucessão de descobertas arqueológicas indica o desenvolvimento de uma das mais
notáveis civilizações do Novo Mundo, com uma arquitetura, escultura e cerâmica bastante
elaboradas. Mas foi a decifração dos ideogramas da escrita maia que permitiu
reconstituir parcialmente a história deste magnífico povo. Sua história pode ser
dividida em três períodos: o pré-clássico (1000 a.C. a 317 d.C.); o clássico ou Antigo
Império (317 a 889); e o pós-clássico ou Novo Império (também conhecido por
“renascimento maia”, até 1697). Da idade pré-clássica pouco se conhece, mas pode-se
afirmar que neste período já existia uma estrutura religiosa e social, com uma classe
sacerdotal especializada em matemática e astronomia. Provavelmente foi nessa época que
se criou o calendário maia.
O fim da idade pré-clássica e o começo da clássica foram
estabelecidos com base nas primeiras datas que puderam ser decifradas nos monumentos.
A mais antiga é a Tábua de Leida, pequena lâmina de jade encontrada em Uaxactun,
talvez o centro mais importante do Antigo Império, que corresponde aproximadamente a
317 – 320 d.C. Esta data marca o início da idade clássica, e o ano de 1697 –
o fim do Novo Império – assinala o término da última resistência organizada contra os
espanhóis.
Divididos lingüisticamente e espalhados sobre um enorme território, apresentam, no
entanto, uma notável homogeneidade na escrita, no sistema de calendário, nas artes
plásticas e no simbolismo religioso. A religião dominava toda a sua vida, como também
a organização política e econômica. Apenas os sacerdotes e os nobres viviam na cidade
e tinham a propriedade da terra; os camponeses possuíam apenas o produto de seu
trabalho. O solo era demarcado a partir do centro e distribuído entre os chefes de
família para ser cultivado. A supremacia da classe sacerdotal e sua importância no
planejamento da agricultura assemelham-se ao papel desempenhado por essa mesma classe
no Egito antigo. Como no Egito, os sacerdotes maias eram os conhecedores da escrita,
matemática, astronomia, calendário e, assim, os únicos capazes de determinar as
épocas propícias para o preparo do campo, a semeadura e a colheita. Política e
administrativamente, o império maia era formado por várias cidades autônomas,
semelhantes às cidades-estado gregas. Cada uma delas era governada por um chefe –
halch uinin, o “verdadeiro homem”, assistido por um conselho que incluía os
principais chefes tribais e os sacerdotes. O batab era o chefe civil da cidade e o
nacom, o chefe militar.
Os membros da nobreza eram recrutados entre os chefes de
famílias locais, por ordem de riqueza. E a classe sacerdotal – akhim – dividia-se
em dois grupos: um encarregava-se do culto; o outro se devota às artes e ciências.
Os maias se dedicavam basicamente à agricultura, que era variada e desenvolvida.
Cultivavam milho, cacau, algodão, feijão, pimenta, sisal, abóbora, vários tubérculos,
mamão e abacate. Mas, indiscutivelmente, o principal produto era o milho. Tão grande
era a sua importância, que uma lenda maia contava que o criador do mundo fez o
homem a partir do milho.
O sistema de cultura usado pelos maias era o mais apropriado para o tipo de solo da
região: escolhido o local, os agricultores cortavam os arbustos, moitas e árvores, com
suas achas de pedra; terminada esta tarefa, deixavam o campo para secar sob o sol e num
dia de bom vento – escolhido pelo sacerdote – ateavam fogo, assobiando constantemente
para invocar a ajuda dos deuses. As cinzas serviam de adubo. Marcado o campo, iniciava-se
a semeadura após as primeiras chuvas de maio ou junho. Com a coa – barra de madeira
endurecida ao fogo – abriam-se os orifícios onde eram colocadas as sementes de milho ou
feijão. Quando esgotavam os recursos agrícolas de uma área, os maias escolhiam outro
local para retomar o cultivo; pois não sabiam como reaproveitar o terreno cultivado.
Pouco a pouco, os campos se tornavam cada vez mais distantes das habitações. Então, se
estabeleciam em novas terras e construíam nova cidade. Os primeiros exploradores europeus,
que encontraram as cidades abandonadas pelos maias, tiveram dificuldade para entender
estas estranhas migrações: casas, palácios e estradas totalmente abandonados.
A civilização maia destaca-se, sobretudo, pelo seu desenvolvimento intelectual.
Seu sistema de escrita – hieroglifo – era tão complexo, que ainda há sinais não
decifrados. O avanço de sua matemática permitiu na astronomia cálculos de exatidão
admirável. Conheciam os movimentos do Sol, da Lua, de Vênus e outros planetas.
Este povo deve ter conhecido astronomia mais que muitos outros da antiguidade,
pois as ruínas encontradas de alguns observatórios como Uaxactum e o de Chichém
Itza são provas evidentes de seu progresso na prática dessa ciência. Foram ainda os
primeiros a usar o algarismo “zero” na numeração. O calendário criado pelos maias
conta com um impressionante sistema que lhes permitia calcular o tempo com grande
precisão, a partir de um ponto fixo no passado. Isto é, tinham uma cronologia absoluta,
com um ciclo de 52 anos. Este “marco zero” do calendário refere-se ao ano 3113 a.C.,
provavelmente a criação do mundo.
Sua arquitetura era estreitamente ligada a um culto religioso determinado por
cálculos matemáticos. As fileiras das pirâmides simbolizavam os níveis do
universo: a própria pirâmide representava a montanha do céu, que o Sol deve
galgar e descer a cada dia. Os monumentos e edifícios maias eram erguidos em
lugares altos, talvez para aproximá-los das divindades – o deus Sol, a deusa Lua -,
mas tinham também uma finalidade defensiva, resguardando os altares.
As pedras para as construções eram transportadas nos ombros, pois não conheciam a
roda. No império maia não havia cidades, mas centros de cultos com edifícios,
palácios, observatórios, campos de jogo de bola e praças muito distantes uns dos
outros e os camponeses viviam em choças de palha, que contrastavam fortemente com
o luxo das construções religiosas e dos palácios dos nobres. Essas choças não
sobreviveram ao tempo e são conhecidas pelas suas representações nos afrescos dos
templos e palácios.
No século IX ou X, os maias foram dominados por um povo que
vivia mais ao norte: os toltecas. Estes, guiados pelo herói guerreiro
Quetzalcoatl – transformado mais tarde em deus e conhecido como Kukulcan pelos
maias – e, passaram a exercer forte influência política e militar sobre os maias.
Nasceu assim uma federação denominada Maiapan, governada por maias e toltecas.
A história dos toltecas está envolta em lendas e tudo quanto se sabe desse povo
foi legado pelos astecas, que sucederam a maias e toltecas no domínio do
território mexicano. Segundo a mitologia asteca, os toltecas habitavam um país de
fábula – Tollan ou Tula – próximo à Cidade do México. Eram mais altos, velozes e
mestres em todas as artes, de tal forma que a palavra “tolteca” chegou a significar
“artista” entre os astecas. Eram considerados os criadores de toda a cultura e
ciência desenvolvida pelos demais povos. Possuíam um elaborado sistema de escrita e
consta até que tenham colecionado uma enciclopédia divina, mas nunca foi encontrada
tal obra. Por volta do século X abandonaram Tula, mas antes de se retirarem
incendiaram e destruíram os vestígios de sua civilização antiga. A confederação
maia-tolteca não teve uma duração muito longa: discórdias internas, juntamente com
pestes, invasões de outros povos, provocaram o fim do poder centralizado. Seguiu-se
uma longa guerra, na qual se destacou um chefe estrangeiro, o asteca Moctezuma, o
velho. E Maiapan foi destruída pelos
astecas.
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